Curitiba corre contra o tempo para multiplicar startups

Estadão

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Apesar de ter um escritório no Vale do Silício, ele prefere manter a base em Curitiba, onde a empresa nasceu. “Gosto de colaborar com o desenvolvimento da cidade”, diz ele, que é um dos principais nomes do ecossistema de startups da capital paranaense. Mas nem sempre foi assim.

Quando começou a empreender, em 2008, Aléssio tinha uma loja de serviços, a Acessozero. A empresa chegou a ter 1 milhão de usuários e foi vendida em 2012 para o Apontador, mas deixou “um gosto amargo” para o empreendedor. Uma década depois, ele diz que a empresa demorou a procurar investidores e que faltaram mentores, em uma cidade ainda isolada.

Hoje, a Pipefy de Aléssio divide terreno com dezenas de startups locais, como o site de comércio eletrônico MadeiraMadeira ou a ferramenta de serviços contábeis Contabilizei. São nomes de um ecossistema que só agora começa a deslanchar.

Cautela. A resposta para a demora, na visão dos próprios empreendedores, está ligada à própria cultura de Curitiba. Nascido na cidade, o poeta Paulo Leminski definiu seus conterrâneos como “cautelosos, meio ariscos e analíticos”. São características que não ajudam a criação de um ambiente de colaboração, vital para o surgimento de uma cena de startups. Até mesmo quem já era veterano do mercado de tecnologia tinha dificuldade para apostar no setor.

“Por muito tempo, abri palestras dizendo que não investia em startups”, lembra Marcel Malczewski, fundador da Bematech, empresa de automação comercial, comprada pela Totvs em 2015. Hoje, porém, ele tem 15 startups no portfólio do M3, fundo de investimentos que lidera. Metade delas é de Curitiba. 

Por décadas, os engenheiros formados nas faculdades da região – como as federais UFPR e UTFPR e a particular PUC-PR – também preferiam empregos em multinacionais, como Volkswagen, HSBC e Renault. Nem exemplos como a Positivo Informática, que cresceu e abriu capital na bolsa de valores, animaram gerações a empreender.

Corrida. Na última década, porém, a inspiração de gigantes do Vale do Silício criou uma onda de empreendedorismo por todo o mundo, que nos últimos anos chegou a Curitiba. Hoje, já existem nove aceleradoras, sete incubadoras e 14 espaços de inovação aberta atuando na região. A proximidade com São Paulo também ajuda – afinal, é um voo de apenas 40 minutos. “Consigo suprir a distância marcando um dia inteiro de reuniões”, diz Vitor Torres, fundador da Contabilizei, que nasceu em 2013 e hoje soma 10 mil clientes e 210 funcionários.

A qualidade de vida, com pontos fortes como o sistema de transporte, também favorece que a mão de obra deseje estar na região. “Já sonhei morar no Vale do Silício”, diz Robson Privado, vice-presidente de vendas e marketing da MadeiraMadeira, que vende itens para casa em seu e-commerce. “Hoje, prefiro ficar em Curitiba, onde o custo de vida é bem mais baixo.”

A startup surgiu quase ao acaso: era uma tentativa dos irmãos Daniel e Marcelo Scandian de ajudar os pais, donos de uma loja que vendia pisos de madeira, a se livrar do estoque que tinham importado dos Estados Unidos em tempos de crise. Hoje, tem cerca de 400 funcionários e fundos como Kaszek e Monashees entre seus apoiadores.

Atração. A cidade também atraiu nomes importantes como a aceleradora paulistana Ace ou a incubadora americana Founders Institute, que têm sedes locais dentro do Jupter, misto de espaço de eventos e fundo de investimentos. Além disso, começam a aparecer investidores especializados em startups – além da Jupter e da M3, há o Curitiba Angels, grupo de 63 investidores-anjo.

Ajuda também o fato de que as startups perceberam que precisam falar de si e da cidade. Um exemplo é o da Ebanx, que nasceu em 2012 e processa pagamentos para sites estrangeiros. Hoje, a empresa está em sete países e processou em 2017 US$ 1,2 bilhão para clientes como Spotify, Airbnb e AliExpress. Para divulgar o orgulho da sua terra, o departamento de design da empresa criou um adesivo com os dizeres “Eu amo Curitiba” – no lugar do coração, há uma araucária, símbolo do Estado.

Agora, o adesivo está colado no computador de vários sócios da companhia – mesmo sem nenhum logo da Ebanx. “Já estava cansado de chegar a São Paulo e ser recebido com nariz torto porque a empresa é de Curitiba”, diz André Boaventura, sócio e diretor de marketing da startup. “Agora, queremos fazer o mundo olhar para a gente.”

UTFPR Câmpus Curitiba em parceria com a M3 Investimentos inauguram novas instalações da Incubadora Ícarus de Inovações Tecnológicas

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Curitiba (PR), 13 de dezembro de 2017 – A Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Curitiba (UTFPR-CT), por meio do Programa de Empreendedorismo e Inovação (Proem) realizou hoje às 18h e 30min, evento de inauguração das novas instalações da Incubadora Ícarus de Inovações Tecnológicas.

Segundo a professora Silvana Leonita Weber, coordenadora do Programa de Empreendedorismo e Inovação do Câmpus Curitiba, “o Proem, em 2017 está completando 20 anos. No Câmpus Curitiba, a pré-incubação (Hotel Tecnológico) é mais voltada para o público interno. Onde os projetos de base tecnológica desenvolvidos por estudantes ganham uma roupagem na área de gestão. Mais de 100 projetos já foram hospedados ao longo das últimas duas décadas. Na Incubadora Ícarus, já foram desenvolvidas 18 empresas, e 16 estão ativas no mercado gerando empregos e riquezas para o nosso município. Atualmente, estão incubadas 6 empresas. Além disso, nossa Incubadora foi recentemente agraciada com o credenciamento junto ao Comitê da Área de Tecnologia da Informação (CATI) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) o que trará um diferencial para as nossas empresas incubadas”.

Para o Diretor-Geral da UTFPR Câmpus Curitiba, o professor Cezar Augusto Romano, “o diferencial dessa obra foi a abordagem da Tríplice Hélice do Empreendedorismo, onde a Universidade atua como indutora das relações com as Empresas e o Governo visando não apenas a produção de novos conhecimentos, mas também a inovação tecnológica e o desenvolvimento econômico. O professor Romano acredita que assim a Universidade incorpora uma quarta missão, além do ensino, da pesquisa e da extensão, que é o desenvolvimento econômico via geração de conhecimento científico e de base tecnológica tendo como consequência a inovação e uma Universidade mais Empreendedora. Afirma ainda, que a parceria com o empresário Marcel Martins Malczewski foi fundamental para a consolidação desses conceitos”.

O empresário e Diretor Presidente da M3 Investimentos, Marcel Martins Malczewski, foi estudante de mestrado na UTFPR, onde o tema foi o desenvolvimento de uma pequena impressora. Assim nascia o projeto Bematech. “Como na época não havia Incubadora no Cefet-PR, nosso projeto foi incubado na Tecpar. Motivo pelo qual valorizo a importância das incubadoras na formação de empreendimentos nascentes.” Afirma Marcel, que atualmente está apoiando como Investidor Anjo, a empresa Mercafácil que está incubada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná no Câmpus Curitiba (UTFPR-Curitiba) e no passado, já investiu na Redefretefácil outra empresa que já fez parte dessa mesma Incubadora.

Para o Reitor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o professor Luiz Alberti Pilatti, a nova estrutura física da Incubadora permitirá o desenvolvimento de mais empreendimentos inovadores e de base tecnológica, fortalecendo cada vez mais o ecossistema de empreendedorismo e inovação.

M3 investimentos faz aporte em startup paranaense com foco em gestão empresarial

Terra On Line

O sistema de gestão empresarial para micro e pequenas empresas VHSYS, localizado em São José dos Pinhais (PR), conta com um novo parceiro no mercado de investimentos. Liderada por Marcel Malczewski, a M3 já realizou aportes financeiros em mais de 10 empresas dos setores de serviços, bens de consumo e tecnologia.

A VHSYS é a quinta startup paranaense a receber investimentos da M3, também responsável por aportes na Maxwell Bohr, Hariken, Já Entendi e Mercafácil.

Evolução ano a ano

Desenvolvido em 2011 pelos primos Reginaldo Stocco e Luan Stocco, o sistema VHSYS originalmente era apenas um emissor de notas fiscais com o intuito de suprir uma necessidade de um cliente de outra empresa gerenciada pela dupla.

Porém, logo na etapa de desenvolvimento, eles perceberam que havia um grande potencial a ser explorado. “Enxergamos que poderíamos evoluir o emissor para um sistema muito mais completo, que colaborasse em diversas etapas na hora de gerir um negócio. Foi a partir deste escopo que começamos a expandir o sistema”, afirma Luan, cofundador e atual diretor de tecnologia da VHSYS.

De lá pra cá, a empresa cresceu e ganhou destaque no mercado. O sistema foi ficando cada vez mais robusto e hoje conta com módulos para controle financeiro, vendas, estoque, além de ter aprimorado seu emissor de notas fiscais e desenvolvido uma loja de aplicativos exclusivos para o software, ampliando ainda mais suas funcionalidades para o cliente final.

Um passo muito bem calculado

Esta não foi a primeira oportunidade de investimento que a VHSYS teve. Porém, além da parte financeira, para os fundadores era necessário que os possíveis investidores também pudessem colaborar com suas vivências de mercado e expertises. “Sempre buscamos parcerias que pudessem ser positivas não só no aspecto financeiro, mas também na área estratégica, que tivessem experiência em nosso mercado e visão de crescimento”, explica Reginaldo, CEO e cofundador da empresa.

Todos esses aspectos foram encontrados na M3 Investimentos e no imenso conhecimento e vivência de Marcel Malczewski e Gilmar Pértile. “Tanto o Marcel quanto o Gilmar são referências no mercado. A grande experiência na área empresarial e tecnológica e a visão empreendedora de ambos com certeza foram fatores primordiais para essa parceria”, comenta Reginaldo. “Crescemos muito nestes 5 anos e tivemos diversas conquistas com nossas próprias pernas, porém, chegamos em um momento que, para alcançar objetivos ainda maiores, a visão estratégica do Marcel e do Gilmar se fez necessária e será extremamente positiva” completa Luan.

Os próximos passos

Os objetivos da VHSYS com o aporte e conhecimentos da M3 Investimentos são bem claros: aprimorar seu produto, aumentar os canais de distribuição e trabalhar com mais frentes em suas estratégias de marketing.

A expectativa é ampliar sua visibilidade e a equipe, que atualmente conta com 50 funcionários e, consequentemente, expandindo o negócio.